sábado, 27 de março de 2010

A primeira prova

Nossa história ecoa na minha memória no tom mais doce e forte que já pude sentir. Mairun, aquele menino Curumim, todo serelepe, todo atencioso, afetuoso demais... Nosso vínculo emocional se estabeleceu de cara, de primeira, aos nossos 4 anos de idade. Ele é afilhado da minha "bendrasta" Joana, e, naturalmente, meu pai o "apadrinhou". A cada férias que nos encontrávamos era um colorido diferente pra minha alma interiorana. Que delícia!Engracado que por ter sido alguém da "família", acho que nunca me permiti assumir um sentimento maior. E nem era o caso, já que éramos sempre criancas ou mesmo adolescentes, morando a mais de 500km de distancia! Mas hoje me recordo da sensacao boa que eu ganhava cada vez que ele chegava... O fato é que nos sentíamos, sim, especiais um para o outro. E somos. Sempre fomos confidentes um do outro, bons amigos. E nos devertíamos muito juntos!
Última vez que nos vimos estávamos com 16 anos. Segundo ele eu estava na minha fase "rock and roll". Verdade. Foi minha fase mais perdida, mais rebelde. Depois disso ele chegou a ir pra Penápolis com 21 anos, mas eu nessa época morava em Santos. Tempo vai, vida anda, a tecnologia vem tomando espaco, e acabamos nos contactando virtualmente. Passaram-se 14 anos até que a vida nos permitiu um reencontro.
Tínhamos nos visto por foto nesse meio tempo, mas pessoalmente tem toda a questao do olhar, do charme, do cheiro, e especialmente da ternura mútua - que naquele momento me voltou á memória como se nos víssemos sempre!
Eu estava com meu irmao Daniel; tínhamos ido para o Rio de Janeiro passear e rever esse nosso "primo" perdido no tempo. O Rio é muito lindo, mas meu coracao batia mesmo era de estar ali com o Mairun. Que sensacao gostosa de rever aquele "primo", entao homem feito, lutador, guerreiro da própria história, com valores próximos dos meus, anseios similares aos meus, enfim: nossas afinidades eram tantas que eu fiquei muito a fim dele e achava que estava super dando na cara... Eu estava definidamente atraída por ele. Mas, passado um dia da nossa estada ali, foi ele quem tomou a iniciativa, e acabamos nos beijando pela primeira vez. Deliciosamente o mundo parou.
A partir daí a vontade de estar junto só cresceu. Fiquei mais dias no Rio pra estar com ele. Ele foi pra Santos ficar uns dias comigo, e isto seria uma constante se eu estivesse morando no Brasil. Mas infelizmente nao pude prorrogar a minha passagem de volta a Londres. E agora aqui estou.
Passada a euforia do re-encantamento, chegada a plena certeza de que este é o nosso amor, o nosso momento... mas nao exatamente AGORA:
afinal estamos enfrentando uma distancia de cerca de 10.000 kilometros dos nossos corpos.
Mas ficou uma coisa muito forte nas nossas almas... Despertamos juntos um sentimento muito único e intenso... esse tal Amor...
Amor que aumenta minha gana de viver, de realizar tudo que é meu, de estar, de ser e de crescer junto, de formar uma família!
Amor que me transmite a seguranca de amar e ser amada!
Amor que esteve comigo durante anos da minha vida, amor que cresceu junto comigo, longe e dentro de mim. Que numa magnífica estratégia da vida, cresceu num movimento paralelo ao meu... e que só poderia mesmo se revelar neste momento das nossas vidas.
Ah.... o AMOR!
Quanta nobreza tem o amor... quanta pureza, quanto desejo!
Somos réus e vítimas do nosso querer.
A vida nos reaproximou de uma forma inesperada, mas muito intensamente. Queríamos muito nos ver, e hoje entendo o porque.
Porque re-encontramos o AMOR DE NOSSAS VIDAS !!



Soneto do amor total

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

- Vinícius de Moraes -

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