sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

Autor: Frei Antônio das Chagas, Século XVII.

sábado, 17 de setembro de 2011

Amor - dar e receber

Mimo.
A Moma mima?
Mima o Momo.
O Momo mima?
Mima a Moma.
Momo mima Moma?
Moma mima Momo?
MomaMima MomoMima
MomoMoma

Mima a Moma.
A Moma mima?
Mima o Momo.
O Momo mima?
Momo mima Moma?
Moma mima Momo?
MimaMomo MimaMoma
MomaMomo
Mima.

by Momo e Moma

domingo, 1 de maio de 2011

Um parecer da atualidade

A palavra "parecer" está contida, física e significantemente, em "aparecer". E querendo falar em atualidade, ela me remete alguma coisa: está presente no presente. Faço aqui um parecer em pensamento escrito. Aparecer no sentido de querer ser visto, querer estar "no ar", ao vivo, em áudio e/ou vídeo, faz muito a cabeça das cabeças da atualidade.
Nao estou, por assim dizer, querendo me incluir fora dessa. Estaria sendo hipócrita! Afinal, sou da atualidade, tenho facebook, vídeos no youtube, perfil no twitter, esse blog, orkut, messenger e afins. Tudo isso com foto, depoimentos, autobiografias e muitas, muitas referencias e apariçoes - o que me denuncia e me enquadra exatamente no perfil mais do que comum: o de "aparecida".
Na minha terra,aqueles que - uns mais, outros menos - gostam de "aparecer" recebem um carinhoso codinome que vem do nome Aparecida, ganhando, porém o grau aumentativo da palavra: passa então a ser Aparecidona, que é abreviado para Cidona/Cidão.
Até aí tudo bem, não é? Qual o problema em querer ser visto, ser olhado, ser lembrado? Não há nada de mais em desejar ser amado pelo maior número de pessoas possível, amor em massa, ser querido aos kilos, ser desejado como um deus? Sim, de alguma forma todo mundo precisa disso; mas em que escala? Desde que nascemos precisamos de uma mãe suficientemente boa, um lar confortável, onde nos sentimos seguros para nos desenvolvermos. E isso deve ser humano, deve ser com amor porque se for algo mecanico nao adianta! Corre-se o risco de nos tornamos psicóticos!
Enfim, voce pode ser um ogro ou uma flor, mas no fundo o que precisa mesmo é simplesmente sentir amor. Minha reflexão provem da impressão que eu tenho de que as pessoas, de um modo geral, estão tão carentes de afeto, de uma seguranca que deveria ser natural dentro de casa, no próprio núcleo familiar, que vão buscar na mídia, no virtual, na fantasia, no imaginário alimentando com carne fresca o leão do narcisismo que temos dentro do nosso ser, sem deixá-lo caçar, mas domesticando-o.
Deixar de olhar exclusivamente para si, amar verdadeiramente ao próximo, doar-se ao outro, tirar as armaduras do medo e da ilusão evitando assim a gelada solidão. Utopia ou necessidade? Será que estamos tao vazios assim de amor que não podemos doar um pouco?

Desejo

Ah, bruta flor do querer
Querer do desejo
Escondido ou exposto,
É a resposta do porque.
Sem desejo nao há razão, nao há vazão,
Nem tampouco solução
Fuja do seu desejo e ele se jogará em cima de voce,
Te envolvendo como um encanto oculto.
Oculto no recalque, na máscara de defesa
Do próprio desejo.

Ah, bruta flor do querer
Saber e viver para o desejo é tão penoso quanto o não faze-lo.
Tudo porque é tudo tão camuflado,tudo é tão construído, tão impregnado,
Que, confesso, não sei se já sei acessar meu desejo sem me atingir.

Ah, bruta flor
Flor de feitiço e verdade
Com a toda a dor do espinho, mas plena da beleza que só sua cor e perfume podem oferecer
Ah, bruta flor, bruta flor...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nomes e Formas

De-me o teu nome
E faco dele um marco
Uma afoito grito do meu próprio suspiro
Alívio... leito... me deleito

De letras e sombras somos feitos
No peito a marca cravada
NO olhar a sombra do corpo
Na alma o gozo compassado

Minha norma é minha forma
Meu intento é ser feliz
Mergulhar no meu obscuro
Conhecer o que me diz

De tudo aquilo que eu digo
Que de letras formam palavras
Que traduzem um pensamento
De algo bem mais fundo que eu tenho

Nome sao letras
A que se prendem sentidos
Nao quero mais um nome
Basta traduzir o embutido