A palavra "parecer" está contida, física e significantemente, em "aparecer". E querendo falar em atualidade, ela me remete alguma coisa: está presente no presente. Faço aqui um parecer em pensamento escrito. Aparecer no sentido de querer ser visto, querer estar "no ar", ao vivo, em áudio e/ou vídeo, faz muito a cabeça das cabeças da atualidade.
Nao estou, por assim dizer, querendo me incluir fora dessa. Estaria sendo hipócrita! Afinal, sou da atualidade, tenho facebook, vídeos no youtube, perfil no twitter, esse blog, orkut, messenger e afins. Tudo isso com foto, depoimentos, autobiografias e muitas, muitas referencias e apariçoes - o que me denuncia e me enquadra exatamente no perfil mais do que comum: o de "aparecida".
Na minha terra,aqueles que - uns mais, outros menos - gostam de "aparecer" recebem um carinhoso codinome que vem do nome Aparecida, ganhando, porém o grau aumentativo da palavra: passa então a ser Aparecidona, que é abreviado para Cidona/Cidão.
Até aí tudo bem, não é? Qual o problema em querer ser visto, ser olhado, ser lembrado? Não há nada de mais em desejar ser amado pelo maior número de pessoas possível, amor em massa, ser querido aos kilos, ser desejado como um deus? Sim, de alguma forma todo mundo precisa disso; mas em que escala? Desde que nascemos precisamos de uma mãe suficientemente boa, um lar confortável, onde nos sentimos seguros para nos desenvolvermos. E isso deve ser humano, deve ser com amor porque se for algo mecanico nao adianta! Corre-se o risco de nos tornamos psicóticos!
Enfim, voce pode ser um ogro ou uma flor, mas no fundo o que precisa mesmo é simplesmente sentir amor. Minha reflexão provem da impressão que eu tenho de que as pessoas, de um modo geral, estão tão carentes de afeto, de uma seguranca que deveria ser natural dentro de casa, no próprio núcleo familiar, que vão buscar na mídia, no virtual, na fantasia, no imaginário alimentando com carne fresca o leão do narcisismo que temos dentro do nosso ser, sem deixá-lo caçar, mas domesticando-o.
Deixar de olhar exclusivamente para si, amar verdadeiramente ao próximo, doar-se ao outro, tirar as armaduras do medo e da ilusão evitando assim a gelada solidão. Utopia ou necessidade? Será que estamos tao vazios assim de amor que não podemos doar um pouco?
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